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Sunday, August 26, 2012

Opinião: Alma Rebelde

Note: Books written by Portuguese authors will be reviewed in Portuguese.


Sinopse:  No calor das febres que incendeiam a Lisboa do século XIX, Joana, uma burguesa jovem e demasiado inteligente para o seu próprio bem, vê o destino traçado num trato comercial entre o pai e o patriarca de uma família nobre e sem meios.

Contrariada, Joana percorre os quilómetros até à nova casa, preparando-se para um futuro de obediências e nenhuma esperança.

Mas Santiago, o noivo, é em tudo diferente do que esperava. Pouco convencional, vivido e, acima de tudo, livre, depressa desarma Joana, com promessas de igualdade, respeito e até amor.
Numa atmosfera de sedução incontida e de aventuras desenham-se os alicerces de um amor imprevisto... Mas será Joana capaz de confiar neste companheiro inesperado e entregar-se à liberdade com que sempre sonhou? Ou esconderá o encanto de Santiago um perigo ainda maior? 


Opinião: Tenho tendência a manter-me afastada de livros de autores nacionais, mas não posso afirmar ter razões cem por cento válidas para o fazer. Muito provavelmente, isto prende-se com o facto do género que eu mais gosto de ler (fantástico) seja muito escassamente povoado por autores portugueses e, dos poucos que já li, a escrita nem sempre me cativou. Portanto, foi só após ter lido várias opiniões relativas a este livro (todas elas muito positivas) que me decidi a comprá-lo e lê-lo. E agradeço a todos os Santos por tê-lo feito.

Com uma escrita pessoal, enternecedora e elegante, onde a língua portuguesa adquire um tom que nos é tão próprio, a autora consegue transportar-nos até uma época marcada pela tradição, pela moral e pela religião. Uma época onde as mulheres não eram nada mais do que meros objetos, moedas de troca em negócios orquestrados pelos homens que dominavam as suas vidas. 


"Alma Rebelde" tem a quantidade certa de elementos históricos para que a ambientação à época seja feita de forma natural, para que a compreensão das dinâmicas e da sociedade seja feita de forma simples e instrutiva e para que o ambiente que rodeia a vida das personagens facilmente nos envolva. Com descrições encantadoras e realistas, as imagens dos locais onde a ação se desenrola vão ganhando vida perante os nossos olhos, até estarmos completamente submersos.

Um dos aspetos que mais me maravilhou neste livro foi a originalidade com que está estruturado:
Por um lado, e sem dúvida alguma liderando toda a narração, temos o olhar de Joana: uma jovem burguesa de espírito tempestuoso e inteligente, mas que vive sob a máscara de obediência, cautela, modéstia e silêncio que todas as meninas de bem se veem forçadas a aprender e a fazer suas desde que nascem.
Joana nunca esperara vir a conhecer no seu casamento (um casamento arranjado pelo seu pai para benefício do seu estatuto social) liberdade, felicidade, ou até mesmo amor. Mas quando encontra pela primeira vez Santiago, o seu noivo, as suas ideias e perspetivas sofrem uma volta de 180º graus.

Por outro lado, temos o olhar de Santiago: sedutor, carismático, inteligente, de opiniões intensas e modos e emoções igualmente intensos, Santiago deixou-me rendida logo desde o primeiro encontro.
No entanto, Joana estranha-o. Estranho os seus modos, estranhas as suas emoções, estranha a sua frontalidade e honestidade.
Joana estranha-o, enquanto que eu me sinto ser arrebatada sem ter dado consentimento, e Santiago sente-se ser arrebatado por Joana logo desde o primeiro olhar.

Para além destas duas diferentes visões sobre os acontecimentos, temos ainda passagens do diário de Joana, bem como uma série de cartas trocadas entre esta e a sua melhor amiga, Ester (e, ocasionalmente, uma troca de correspondência entre Santiago e o rei D. Pedro, seu melhor amigo, assim como cartas de D. Ana - mãe de Santiago - para a sua filha Constança, que fugira para o Brasil). A intensidade das emoções resplandece das páginas, e muitas vezes senti o meu coração bater em sintonia com o das personagens, afundar-se ao sabor das suas desgraças, elevar-se com as suas alegrias.

Santiago é o homem por quem nos apaixonamos rapidamente, Ester a mais leal e verdadeira das amigas, D. Ana a mais doce das senhoras, D. Miguel (pai de Santiago) a pessoa com quem sei que nunca conseguiria lidar e Joana a rapariga com quem me consigo identificar, cujo pessimismo, ironia e tendência para exagerar me são tão familiares que não consegui evitar o sorriso com que acompanhava as suas muitas deambulações mentais e emocionais.

Uma história envolvente, tocante e que me fez ler sem conseguir, nem querer, parar. Assim sendo, os meus sinceros parabéns a Carla M. Soares, que me cativou com a mestria da sua escrita.
Dou-lhe 5 de 5★!

2 comments:

  1. Também tenho este para ler, tenho de lhe pegar :D

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    1. Tenho quase a certeza que vais gostar, o livro é mesmo uma delícia! :D

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