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Thursday, September 6, 2012

Opinião: A Guilda dos Mágicos

Note: From now on, if I read a book in Portuguese I'll review it in Portuguese (since it's much easier for me not to go search for every equivalent of the translated terms I've read). Plus, I might just feel like reviewing in Portuguese from time to time, so I guess this blog is becoming bi-lingual. 



Título: A Guilda dos Mágicos (primeiro volume na Trilogia do Mágico Negro)
Autora: Trudi Canavan
Editora: Bertrand Editora

Sinopse: Todos os anos os mágicos de Imardin reúnem-se para purgar as suas ruas da cidade. Mestres de disciplina e da magia, sabem que ninguém se pode opor à sua vontade. Porém, o seu escudo protector não é tão impenetrável quanto acreditam. Quando uma multidão de pessoas é expulsa da cidade, Sonea, uma jovem rapariga, enraivecida com a autoridade dos mágicos e do tratamento que impuseram à sua família levando-os à miséria, atira uma pedra ao escudo. Para espanto de todos, a pedra atravessa o escudo e deixa um dos mágicos inconsciente. Trata-se de um acto inconcebível, e a Guilda dos Mágicos apercebe-se que o seu pior pesadelo se tornou realidade: existe alguém com poderes mágicos por treinar à solta pelas ruas, e deverão encontrá-la o mais depressa possível, antes que os seus poderes fora de controlo libertem forças que irão destruí-la a ela e à cidade.

Opinião: Esta foi, sem sombra de dúvidas, uma leitura interessante. Apesar de, após ter chegado às últimas palavras e fechado o livro que jazia no meu colo, ter um daqueles sorrisos que não se consegue evitar, por muito que se queira, a marcar-me os lábios e ter sentido aquela familiar sensação de encantamento, felicidade e curiosidade desmesuradas que acompanham sempre as melhores das leituras, não posso dizer que este livro tenha sido absolutamente fantástico. 

E porquê?

Bem, a resposta é bastante simples: o livro está dividido em duas partes, e é precisamente aqui que uma história que podia ter sido incrível logo desde o início... Pura e simplesmente, não foi. Não pelo facto de estar dividido em duas partes, mas sim pelo conteúdo de cada uma.

Mas vamos voltar um pouco atrás, para que se possa perceber a origem deste meu desagrado.

O livro começa no dia da Purificação e nós, enquanto leitores, seguimos Sonea, após se ter reencontrado com os seus dois amigos de infância (Harrin e Cery), até ao seu encontro com o grupo de mágicos que iria purgar as ruas da cidade. Em toda a sua arrogância e suposta justificada superioridade, os mágicos não prestam qualquer atenção ao grupo de pessoas que têm na sua frente, prestes a serem expulsas da cidade em direção aos bairros pobres. Em vez disso, conversam uns com outros, pensando estarem protegidos pelo seu escudo dos já esperados lançamento de pedras que um grupo de jovens desordeiros (grupo esse do qual Sonea fez parte enquanto criança e do qual Harrin é líder, sendo Cery o segundo no comando) faz todos os anos, para mostrar o seu descontentamento em relação à Purificação.

Sonea, após alguma persuasão por parte dos amigos, junta-se a eles. Assim que avista os mágicos, raiva é tudo o que consegue sentir. Enquanto lança a pedra em direção ao escudo, deseja com todo o seu ser que esta o atravesse, concentrando toda a sua emoção enquanto o faz.

Surpresa das surpresas, a pedra passa e Sonea fica aterrada. Ela, uma mágica? Não conseguia, nem queria, acreditar (ou até mesmo aceitar) o facto de ser aquilo que sempre odiara, durante toda a sua vida.

A pedra, com toda a força com que fora arremessada, bate na têmpora de um mágico (chamado Fergun e que, na minha mais humilde das opiniões, não recebeu mais do que aquilo que merecia. Mas essa é outra história que não me cabe a mim contar - tradução: leiam o livro e perceberão a cem por cento aquilo a que me refiro). Sonea, absolutamente petrificada pela surpresa e pelo medo, não reage suficientemente depressa e, desta forma, permite que os mágicos a identifiquem como a atacante. Assim que se apercebe de que sabem o que ela fez, a jovem rapariga começa a fugir. Durante essa mesma fuga, um jovem que estava perto dela é morto pelos mágicos. O medo de Sonea escala rapidamente e a rapariga convence-se a si mesma de que estes a querem matar.

Com a ajuda de Cery, Sonea esconde-se dos mágicos, que agora iniciaram uma busca pelos bairros pobres para a encontrarem.

E é a isto que a primeira parte se resume: uma interminável série de fugas por parte de Sonea. 241 páginas onde a maioria dos capítulos é narrado ora sob o ponto de vista de Cery, ora sob o ponto de vista de dois mágicos que estão a organizar as buscas: Lorde Rothen e Lorde Dannyl. Não ficamos a conhecer bem a personagem que é Sonea e somos confrontados com um enredo que, após as primeiras mudanças de esconderijo, se torna repetitivo e cansativo.

No entanto, assim que a segunda parte se inicia, a capacidade de cativar da escritora e do próprio enredo muda drasticamente. Sonea, tendo sido (finalmente) capturada pelos mágicos, está agora a habituar-se à Guilda e aos seus costumes. Ficamos a conhecer, por fim, esta rapariga.

Devo dizer que Sonea é provavelmente uma das melhores personagens femininas com que já me deparei no género fantástico: forte mais ainda assim com as suas falhas e defeitos, tornando-a em alguém com quem nos é possível simpatizar e, mais importante ainda, com quem nos conseguimos identificar. Soneal é real. Sonea não é uma personagem estereotipada ou alguém a quem falta complexidade e profundidade, oferecendo uma visão refrescante e envolvente dos acontecimentos num género literário onde muitas das personagens femininas criadas são ainda alvo, na sua caracterização, de ideias pré-concebidas.

Subitamente, senti-me ser envolvida por todo um conjunto de descrições, personagens e situações verdadeiramente encantadoras. Lorde Rothen, uma mágico carinhoso e que rapidamente se afeiçoa a Sonea, fica encarregue da sua educação, granjeando à história um tom doce e gentil. Lorde Dannyl, antigo pupilo de Rothen e seu amigo de longa data, com as suas opiniões fortes, antigas rivalidades e humor (e medos) muitas vezes despropositados, coloca na cara do leitor um sorriso de cada vez que aparece nas páginas. Supremo Lorde Akkarin, líder da Guilda, é misterioso e um tanto sinistro, deixando-nos sem saber muito bem aquilo em que pensar. Cery, amigo de Sonea, é aquele rapaz que nos aquece o coração e nos faz sorrir tristemente.

Este livro oferece-nos uma história complexa e envolvente, com personagens realistas e descrições que, apesar de no início me terem parecido vagas e algo confusas, se foram aprimorando à medida que as páginas avançaram. Se estivermos dispostos a ler até à segunda parte, a recompensa que recebemos é muito satisfatória.

Dou-lhe 4 de 5, frisando que só não recebeu as 5 devido à primeira parte. Porque, enquanto que demorei uns bons (leia-se, lentos e cansativos) 4 dias a ler a primeira parte inteira, assim que a segunda parte começou, dois dias depois o livro estava a ser fechado e o segundo a ser comprado.

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